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Pronunciamento Deputado Nelson Luersen em 16/06/2014

 

DEPUTADO NELSON LUERSEN (PDT): Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras.  Deputadas. Quero, Sr. Presidente, dizer que estamos vivendo um momento muito difícil no Estado do Paraná. Vi vários Deputados se pronunciando a respeito das enchentes que ocorreram e realmente é algo que vem trazendo um transtorno muito grande. O Paraná é castigado constantemente por essas enchentes, por esses acontecimentos, inclusive no Município de União da Vitória sabemos que é histórico o que ali acontece, e são fatores também que se devem muito à intervenção nossa, do ser humano, no dia a dia, trabalhando, construindo barragens, fazendo drenagens, abrindo mão da mata ciliar, da conservação do meio ambiente, e são fatores que nos preocupam muito, inclusive o sudoeste do Paraná foi muito atingido, como as demais regiões também, o Município de Quedas do Iguaçu, essa semana que passou eu falava lá com algumas autoridades e cidadãos, e eles nos diziam que somente o Município de Quedas do Iguaçu vai precisar de mais de R$ 30 milhões em recursos para recuperar o que foi destruído, ou seja, pontes, bueiros, enfim, as estradas foram danificadas, construções, obras que precisam ser revistas.

 

E essa semana que passou nós, vindo do sudoeste para Curitiba, passamos pela PR-280, no trecho de Pato Branco a Palmas, mais precisamente no Horizonte, e essa rodovia já estava com problemas seriíssimos, e recentemente, com as fortes chuvas, muitas ‘crateras’ abriram, ‘panelas’, automóveis com pneu cortado - passei de madrugada nessa rodovia, onde tínhamos mais de 30 veículos estacionados no acostamento no trecho de Mariópolis até Horizonte - cidadãos trocando pneu devido à danificação desse trecho, que não sofre uma recuperação mais profunda há muitos e muitos anos. Então, fizemos um pedido ao DER, que recupere aquela rodovia o quanto antes, para facilitar o trânsito e também dar segurança à população do sudoeste do Paraná, que ali trafega no dia a dia. Também quero aqui parabenizar a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, as Prefeituras Municipais, a Assistência Social do Estado, as pessoas que, de forma voluntária, participaram e ajudaram as pessoas desabrigadas, pessoas que foram atingidas pelas enchentes, e quero dizer aos senhores e às senhoras que estamos muito preocupados com o leito do rio Iguaçu. Nós que residimos na parte baixa, residimos no Município de Planalto, aquela região foi muito castigada pela abertura das comportas da Usina Hidrelétrica de Salto Caxias.

 

Observamos e estivemos visitando os moradores que ali residem e eles estão apreensivos, porque, vejam os senhores, se observarmos, temos várias usinas construídas no rio Iguaçu, mais vizinho do sudoeste, ou seja, no sudoeste do Paraná, Salto Osório e Salto Santiago. Por que é que os ribeirinhos que moram abaixo dessas duas usinas não foram castigados da mesma forma que os que moram abaixo da Usina de Salto Caxias? No meu entender, o que aconteceu é que está sendo construída a Usina do Baixo Iguaçu e penso que eles seguraram a água enquanto puderam reter, esperando que pudessem conter as águas das enchentes, e quando viram que não dava mais para conter essas águas, eles largaram de uma hora para outra, sem avisar os moradores, e isso fez com que tivéssemos um grande número de moradores atingidos, bem acima do esperado, bem acima do que aconteceu nas enchentes anteriores; pessoas que nunca haviam sido atingidas dessa forma, nem na enchente de 1983, que foi uma das maiores da história do Paraná, eles foram castigados. E foram castigados de forma avassaladora. Não dá para descrever o que aconteceu.

 

Os moradores do Município de Capitão Leônidas Marques, que residem na zona rural, próximo à barragem, os moradores da Barra do Quieto, no Município de Nova Prata do Iguaçu, residências que foram embora sem deixar vestígios, parece que nem tinha residência ali, de tão avassaladora que foi a enchente causada pela abertura das comportas. A Barra do Sarandi, em Realeza, também, inclusive a água subiu três ou quatro quilômetros rio acima, alagando toda uma região que nunca tinha sido atingida, o Porto Moysés Lupion, em Capanema, também foi atingido, moradores de Marmelândia.

Então, já estivemos na Copel, falando com técnicos da Copel, na terça-feira da semana passada, pedindo que eles tomem um posicionamento, que achem uma solução, e eu soube que eles já estão fazendo um levantamento. Precisamos de um apoio para reconstruir o que foi destruído. Entendemos que a natureza causou muitos prejuízos, muitos estragos, e precisamos de recursos para recuperar todo o Paraná; mas esses que foram atingidos nesse trecho que eu falei, do rio Iguaçu, eles foram, sim, castigados devido à falta de competência.

 

A Aneel tem um departamento que regula as enchentes e as barragens do nosso Estado. A Aneel avisou, com certeza, quem cuida das barragens sobre o ocorrido, sobre as fortes chuvas que começaram na sexta-feira. Por que é que só no domingo à tarde que eles foram abrir as comportas? Por que é que eles não abriram as comportas gradativamente com antecedência, deixando a água escoar para que não causasse o que causou naquela região? Então, são fatos que a Copel precisa estar atenta, precisa estar junto daquelas famílias. De nada adianta a Copel ter um lucro, em 2013, de R$ 1 bilhão e 300 milhões, se na hora que o cidadão é castigado por uma obra que é necessária, que é a Usina de Salto Caixas, ele não têm o apoio para reconstruir o que foi perdido. Deputado Tadeu Veneri, lhe concedo o aparte.

 

Outro detalhe, Sr. Presidente, ouvindo as notícias na imprensa, muitas vezes ficamos imaginando como tem pessoas que não têm a dimensão do que aconteceu no Estado do Paraná. Essa enchente que ocorreu no nosso Estado é algo que vai necessitar de recursos da ordem de mais de 1 bilhão, mais de 1 bilhão, e aí, é claro, a imprensa se precipitou, o Governo Federal liberou 140 mil para a aquisição de algumas cestas básicas de forma emergencial, e houve uma crítica muito grande em cima do Governo Federal. Eu sei que o Governador Beto Richa deve estar muito preocupado, a Defesa Civil do Estado deve estar muito preocupada, e tenho certeza de que o Governo Federal vai ter que disponibilizar ao Paraná mais de R$500 milhões para que possamos reconstruir o que foi destruído. Tenho certeza de que vamos ter, sim, o apoio da Presidente Dilma, vamos ter o apoio do Ministério da integração Nacional, vamos ter o apoio das autoridades, porque há um estado, sim, de calamidade em nosso Estado, um estado preocupante. Nós que residimos no sudoeste e viajamos ao oeste do Paraná constantemente, observamos esses estragos; somos reféns dessa situação, porque para vir da nossa região até Curitiba, hoje, sem dúvida nenhuma é um rally, é uma maratona, é uma dificuldade muito grande.

 

Entendemos que vai demorar algum tempo para se restabelecer a vida dos cidadãos para que eles voltem à normalidade, mas tenho certeza de que, com muita fé em Deus e com muita responsabilidade, com muita determinação e com a colaboração de toda sociedade, com o apoio do Governo Federal, Governo Estadual, Prefeituras Municipais, vamos, sim, reconstruir o Estado do Paraná, e esperamos que possamos, no futuro, ter um projeto, um plano de prevenção de enchentes, prevenção de catástrofes que vêm acontecendo constantemente no nosso Estado. Agradeço a oportunidade, Sr. Presidente, e vamos pedir a Deus que ilumine o povo do Paraná atingido pelas enchentes; que eles possam, juntamente com suas famílias, com a sociedade organizada, reconstruir o que foi perdido. Muito obrigado.