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Pronunciamento Deputado Nelson Luersen em 10/03/2014

 

DEPUTADO NELSON LUERSEN (PDT): Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados. Subo a esta tribuna hoje para tratar de um assunto que é de interesse de todos os paranaenses, em especial do setor agropecuário do nosso Estado. Como todos os senhores sabem, a Copel, nossa Companhia de Energia, sempre foi motivo de orgulho para o povo do Paraná. Uma empresa de capital aberto, que é gerenciada e tem o comando do Governo do Estado do Paraná. A Copel, que tem um quadro funcional ótimo, que faz um brilhante trabalho, mas que infelizmente, nos últimos tempos, vem deixando a desejar, principalmente no setor rural. Como vocês todos sabem, o Brasil vem crescendo muito na área rural. O PIB brasileiro, que cresceu 2,3 no ano passado, se deve muito ao agronegócio, ele que segurou esse PIB. O crescimento do nosso Estado que, segundo dados, giram em torno de 5%, tenham certeza os senhores que no mínimo 2/3 disso se devem também ao agronegócio. O homem do campo investiu, construiu aviários, aumentou a produtividade de leite, investiu em irrigação, investiu em suas propriedades para gerar esse PIB, para gerar essa riqueza que tanto o Estado precisa. E o que estamos vendo nos últimos meses é uma queda constante de energia elétrica na zona rural dos nossos Municípios. Parece que estamos voltando aos anos 60, quando o cidadão tinha uma vela Palma Sete, tinha um lampião a querosene, onde não tinha um motor, não tinha uma geladeira, não tinha uma televisão. Parece que estamos regredindo.

 

 

No Município de Honório Serpa, há poucos dias, em uma determinada linha, agricultores relataram que ficaram sem energia elétrica por um período de 14 horas. Levou 14 horas para alguém da Copel vir dar assistência técnica e restabelecer a energia. Lá em Capanema, na semana que passou, em uma determinada linha onde temos vários aviários que produzem frangos, os produtores rurais ficaram sem energia elétrica da meia-noite até as 10h. Então, são fatos tristes que estamos relatando. Na Linha Brizola, semana passada - fui testemunha - chegamos à casa de um amigo meu, um cidadão que tem uma pequena indústria de embutidos, eram 19h, a energia elétrica havia acabado e retornou às 22h. A família já estava apreensiva, porque tinha carne no congelador, tinha embutidos no congelador, tinha produtos perecíveis que teriam que ser levados à comercialização no outro dia e, sem a energia elétrica, quem sabe poderia haver uma perda. Então, são fatos assim que nos preocupam.

 

Vocês sabem que o aumento de energia no interior nos últimos anos deve ter sido de, no mínimo, mais três vezes. Antigamente o agricultor tinha poucas lâmpadas, poucos motores. Hoje é o contrário, se você chegar a uma propriedade rural, você vai observar que ele tem 30, 40, 50 vacas que precisam de ordenha, vacas essas que se forem ordenhadas na hora certa - Deputado Jonas, o senhor que é avicultor, que entende bem desse ramo, que tem um abatedouro - elas acabam tendo mastite, têm a sua produtividade comprometida. Há poucos dias, no sudoeste, houve uma perda muito grande de frangos devido à falta de energia elétrica. Então, os prejuízos são muito grandes e o agricultor está deixando de investir, está deixando de acreditar, está deixando de fazer aquilo que ele mais gosta que é produzir alimento para este país, alimentos que chegam à mesa do brasileiro e têm que chegar com qualidade e, para chegar com qualidade, nós que falamos tanto de sanidade animal e vegetal, o que precisamos na propriedade? Precisamos de uma energia elétrica constante, uma energia elétrica que dê essa segurança ao produtor rural, que a vacina que está na geladeira para ser aplicada no animal não corra o risco de vencer, de ser jogada fora, de ser, muitas vezes, injetada no animal sem ter condições de uso, que o produto que chega à mesa da dona de casa seja de qualidade. Hoje temos muitos produtores que têm irrigação em suas propriedades, que foi um avanço nos últimos anos. Isso tudo deixa a desejar. Vi muitos produtores de frango, na região, que estão comprando geradores, consumindo ainda mais óleo diesel, que custa caro para fomentar a produtividade, para não deixar faltar o ventilador, o aquecedor ou o resfriador, seja lá o que for, na hora que se fizer necessário. Então, meus amigos, estamos nesta tribuna, neste dia, para pedir à Copel que reestabeleça.

 

Hoje estamos com falta de pessoal, não tem assistência técnica, tem Municípios da região que um técnico só cuida de quatro ou cinco Municípios, qualquer relâmpago ou qualquer chuvinha que der, teremos problemas sérios de queda de energia, que não são resolvidas imediatamente, que causam transtorno à população. Então, venho nesta tribuna hoje pedir aos Srs. Deputados que nos apoiem, e que vamos cobrar da Copel um investimento mais pesado no meio rural, vamos levar a luz trifásica para o nosso produtor rural, para o criador de frango, para a ordenha do leite, para instalar as agroindústrias que tanto o nosso Paraná precisa, para levar a irrigação para aumentar a produtividade. No Rio Grande, em Santa Catarina, muito vem se investindo nos últimos anos na energia trifásica, nós ainda estamos com uma energia monofásica instalada nos anos 70, nos anos 80, energia de baixa geração, energia que preocupa, pois queima muito motor, não dá sustentabilidade, não traz segurança ao homem do campo.

 

Então, eu gostaria, Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, de contar com os nobres companheiros para que possamos cobrar do Governo do Estado do Paraná, cobrar do Presidente da Copel, uma política de investimento no setor de eletrificação rural, melhorando as linhas, fazendo a limpeza, fazendo a poda, a roçada em baixo das redes elétricas, porque qualquer chuvinha que der o problema vai acontecer com mais constância ainda. E o homem do campo, nada mais quer que a segurança de poder produzir, de gerar emprego, de criar a sua família no campo. Já temos um êxodo rural muito grande, muitos jovens abandonando o campo, e a sensação que temos, muitas vezes, é que se não houver uma política firme, determinada, para que o homem do campo, que invista, tenha retorno, essa luta toda fica em vão. Então, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, estamos nesta tribuna hoje, pedindo o apoio dos senhores, do Governador Beto Richa, do Presidente da Copel, para que ele abra mão um pouco do lucro exorbitante que a Copel tem, que muitas vezes é distribuído entre os seus acionistas, e que seja investido mais recursos na produtividade rural. Sabemos que a Copel tem investido, mas esse valor ainda é insuficiente, poderia ser muito maior se tivéssemos uma contrapartida maior. E como a Copel tem a incumbência de fazer o social além do lucro, por ser uma empresa de capital governamental, nada mais justo que possamos investir no campo, no melhoramento das redes elétricas. Então, Srs. Deputados, fica aqui o meu agradecimento pela atenção. Esperamos que tenhamos as nossas reivindicações atendidas, que tenhamos o quanto antes uma política definida, de levar a luz trifásica para o campo, fazendo um melhoramento, fazendo uma revisão nas redes elétricas, trocando os transformadores, que são dos anos 70 e 80, fazendo com que o homem do campo que quer investir, que investe no aumento da produtividade, tenha segurança no seu produto e tenha um produto de qualidade, com sanidade, para levar até a mesa dos brasileiros e dos paranaenses. Fica aqui o meu agradecimento, meu muito obrigado, e esperamos ter a nossa reivindicação acatada pela Copel e pelo Governo do Estado. Obrigado.