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Escassez de milho ameaça exportações brasileiras de carne, alerta deputado Luersen

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    A escassez de milho no mercado ameaça prejudicar as exportações brasileiras de carne, em especial aves e suínos. O alerta é do líder do PDT na Assembleia Legislativa, deputado estadual Nelson Luersen, para quem o governo federal deve adotar políticas reguladoras e de planejamento a médio e longo prazo, incentivando a produção de alimentos através do estímulo à agricultura familiar, e restringir a exportação do milho para garantir a manutenção dos estoques para a indústria do País.

    Dados do relatório mensal do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura divulgados no último dia 24 apontam queda de 12% nas lavouras de milho da safra 2015/16 em relação à produção estimada no início da safra. Segundo o órgão, o milho sofreu com estiagem de abril e maio, especialmente na região Norte do Estado, e em junho foi atingido por geadas severas. Os primeiros levantamentos mostram que a produção deve variar de 11,3 a 11,4 milhões de toneladas. A estimativa inicial apontava para uma colheita de 12,9 milhões de toneladas.

    Segundo o Deral, o percentual de perdas pode ser ainda maior no decorrer da colheita, quando serão efetivamente avaliados os impactos da geada. De acordo com a secretaria, as perdas nas lavouras de milho no Paraná, segundo maior produtor do País, ocorrem em um quadro de escassez do grão. Segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho na safra de verão foi de 79 milhões de toneladas, 6% menor que na safra anterior.

    Este cenário, agravado a um volume de exportação maior e ao câmbio favorável às exportações, fez os preços do milho explodirem. O preço na semana de 24 junho foi de R$ 36,11 a saca de 60kg, o que representa um crescimento de 88% em relação a junho do ano passado quando as cotações estavam em torno de R$ 19,17 a saca de 60kg. Nesta segunda safra de milho foram plantados 2,19 milhões de hectares no Estado, com uma produção estimada de 11,4 milhões de toneladas. Na safra 14/15 a produção foi de 11,5 milhões de toneladas.

    Segundo os técnicos da área, a escassez do milho acendeu a luz de alerta para a cadeia produtiva da carne, que a demanda estimada pela indústria é maior do que o milho disponível, o que deve levar a importação de outros países e estados. “Já temos notícias de que frigoríficos podem ter que diminuir ou até paralisar sua produção. Para evitar que isso aconteça, o governo deve disponibilizar os estoques reguladores e fazer uma política de incentivo à produção de alimentos, principalmente para a agricultura familiar. Além de restringir as exportações de milho para fortalecer a nossa indústria, agregando valor às exportações”, defende Luersen.

    Para o deputado, no médio e longo prazo é preciso que o País melhore seu planejamento, evitando que oscilações bruscas de preços e estoques prejudiquem a indústria brasileira da carne. Segundo Luersen, um primeiro passo foi dado pelo Banco do Brasil, que tem financiado a construção de silos, com juros subsidiados, para ampliar a capacidade de estocagem de alimentos. “É preciso também que sejam disponibilizadas linhas de financiamento para a manutenção de estoques de cooperativas e cerealistas, garantindo a comercialização durante todo o ano”, avalia o parlamentar